18/3/2008
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Estudantes provenientes de escolas públicas têm maior potencial acadêmico
> Portal Aprendiz, 16/03/2008
Um estudo feito por pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) entre 2003 e 2005 revelou que estudantes provenientes de escolas públicas têm maior potencial acadêmico do que os das escolas privadas, demonstrando melhor desempenho ao longo do curso. A pesquisa ajudou a orientar a criação do programa de ação afirmativa adotado pela Unicamp em 2004 e, desde então, os autores têm feito o acompanhamento semestral do desempenho dos alunos, utilizando a mesma metodologia. A conclusão preliminar do acompanhamento é que a medida efetivamente aumentou a porcentagem dos egressos de escolas públicas na universidade, especialmente nos cursos de alta demanda, garantindo a presença de estudantes de pior condição socioeconômica e melhor potencial acadêmico. Os resultados atualizados do estudo foram publicados na revista Higher Education Management and Policy, editada pelo Programa sobre Gestão Institucional em Ensino Superior da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). O trabalho foi realizado por Renato Pedrosa, do Departamento de Matemática do Instituto de Matemática Estatística e Ciência da Computação (Imecc), José Norberto Dachs e Rafael Maia, do Departamento de Estatística do Imecc, e Cibele Yahn de Andrade, do Núcleo de Estudos de Políticas Públicas. Benilton Carvalho, da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, completou o grupo da Unicamp. O acompanhamento semestral das turmas, segundo Pedrosa, foi uma das condições exigidas pela universidade para a implantação do programa. “Constatamos que, nas turmas que foram acompanhadas até agora, o resultado tem sido o mesmo: os alunos beneficiados pela ação afirmativa têm o
desempenho melhorado ao longo do curso, em relação aos outros”, disse. Logo no primeiro ano do programa a presença de alunos egressos de escolas públicas aumentou 15,4%, passando de 29% para 34%. O maior impacto foi nos cursos de maior demanda. “Em medicina, por exemplo, a presença desses alunos passou de 10% para cerca de 25%. Isso ocorreu porque o número de pontos é fixo e, nesses cursos com mais demanda, com 30 pontos a mais o candidato ultrapassa maior número de concorrentes. O programa foi desenhado para isso”, explicou. A admissão de pretos, pardos e índios aumentou 44,4% no primeiro ano. “Esse grupo passou de 11% para quase 16% do total. O número ainda está abaixo da porcentagem de 23% de estudantes que pertencem a esses grupos no Estado de São Paulo, mas mostra um claro progresso em direção a uma maior eqüidade”, afirmou.