22/2/2008
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Folha Dirigida: a perversidade do "fracasso escolar"
> Folha Dirigida, 19/02/2008 - Rio de Janeiro RJ
O lado perverso do fracasso escolar
Renato Deccache
A professora Carmen Lucia Guimarães de Mattos, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, é uma das poucas a utilizar o método etnográfico na pesquisa educacional. Pela proposta, ela convive durante um, dois ou mais anos com o mesmo grupo, em geral, de poucas escolas. O objetivo: analisar e identificar quando e de que forma muda a relação entre professores e alunos, ao longo do tempo. Foi este método que ela utilizou para estudar um dos casos em que o fracasso da escola gera conseqüências mais graves. O alvo da professora não era apenas quem não aprendia, mas também quem não se adaptava à disciplina e a metodologia escolar predominantes no ensino de hoje. Segundo ela, são várias as histórias de estudantes expulsos por três ou mais vezes dos colégios, que demoravam até cinco anos para passar de série ou, nos casos mais dramáticos, que desistiam da educação e seguiam o caminho da criminalidade. "Dos 49 alunos que pesquisei em 1992, 19 morreram. Costumo dizer que o fracasso escolar pesquisadora. Coordenadora do Núcleo de Etnografia em Educação da Uerj, ela credita à falta de condições estruturais a inabilidade para evitar o fracasso escolar. "Falta a combinação entre os equipamentos da escola em funcionamento, a capacidade que ela tem de ajudar o professor e, por fim, este profissional ter condições de fazer a criança produzir o conhecimento necessário para que possa aprender."