31/7/2005
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A escrita e os possíveis tipos de erros - Por Paulo Goulart
A escrita e os possíveis tipos de erros
Paulo C. Goulart
A escrita é uma forma de expressão da linguagem que implica uma comunicação simbólica com a ajuda de sinais variáveis de acordo com a cultura da civilização. Porém a escrita é feita para ser vista e lida no intuito de transmitir uma história, um fato, um sentimento, um pensamento, uma teoria...para si e para os outros lerem independente da ocasião.
Assim acontece com nosso alfabeto e tantos outros, o Morse, o braile, os hologramas e tantas outras lingugens que possam passar por civilizações.
A escrita que encontramos na educação infantil e no ensino fundamental como devemos considerar em sua estrutura, em seus acertos ou erros? Devemos considerar apenas essas duas proposta?
Considerando estudos da escrita infantil de Ajuriaguerra e colaboradores firmamos seus conceitos de forma que a escrita é práxias e linguagem. Ela só é possível apartir de um dos movimentos, de uma atividade possível destes em todas as direções do espaço. Mas, de fato, ela é uma gnose-práxis tanto na cópia quanto nas outras atividades escritas.
A escrita, atividade convencional e codificada, é o fruto de uma aquisição apartir de um certo grau de desenvolvimento intelectual, motor e efetivo, socializados em um determinando ambiente e de acordo com certas normas, os modos de expressão gráfica permanecem, apesar de sua variabilidade, bastante fixos pela organização geral do planejamento gráfico e pela equivalência dos instrumentos de inscrição. A escrita apresenta em nossa sociedade um desenvolvimento mensurável pois ela é função, ppr um lado, de fatores maturativos, organofuncionais a partir dos quais a escrita se torna possível e de uma aprendizagem escolar hierarquizada. Por isto, e apesar de seu caráter arbitrário, a escrita evoluiu segundo leis que se pode confrontar com as do desenvolvimento psicofisilógico geral.
Os problemas da escrita são analisados a partir de exames grafométricos e psicológicos a fim de colocar em evidência os mecanismos da organização gráfica. Os métodos de reeducação se baseiam nas pesquisas precedentes, tanto genéticas quanto patológicas.
O julgamento de qualidade é obtido, efetivamente, pela combinação de cinco notações, relativas a: 1- a regularidade de inclinação das letras, 2- a qualidade do traço, 3- a retitude das linhas , 4- a formação das letras, 5- o bom espaçamento das letras e das palavras.
As Três Grandes Etapas do Desenvolvimento
As três grandes etapas que vamos distinguir se definem com relação a este ideal caligráfico, se criança estiver abaixo dele, se o atinge ou se ultrapassa. A análise que damos a seguir é válida para as crianças que seguem uma escolaridade primária normal; porém supõe-se que a evolução assuma um ritmo e modalidade que variam de acordo com a pressão exercida sobre a criança pelo ideal caligráfico.
- A Fase pré- caligráfica
- A Fase caligráfica Infantil-
- Não se deve tomar este termo ao pé da letra. É raríssimo que uma criança de 10 anos produza uma “escrita de manual”. Por outro lado , é comum que, superadas as inabilidades graves a escrita se abrande, se encadeie , se regularize ; a criança produz, quase com algumas modificações de proporções, as formas das letras impostas pela caligrafia .
- A Fase pós- caligráfica
AS Freqüências de Aparecimento de Diferentes Aspectos Gráficos nas Diferentes Idades;
O poder discriminativo genético dos diferentes itens apresenta-se , pois, muito variável. Calculamos este valor, grosso modo, efetuando para cada item a diferença: total das porcentagens de 6 e 7 anos menos total das porcentagens de 10 e 11 anos, para os dois sexos considerados conjuntamente. Pode-se atribuir este fato a três ordens de causas:
1- O Aspecto gráfico 2- Critérios de Atribuição 3- Coleta das Escritas
Freqüência de 38 componentes evidenciados na escrita :
- Escrita em superfícies - Letra gorda - Ausência de Movimento - Letra - M e N escolares - Cortes de t - P escolares - A em duas partes - D, g, q em duas partes - Maiúsculas escolares - Pontos de Junção - Aderências - Espaços irregulares entre as linhas - Zonas mal diferenciadas - Hastes descendentes refeitas - Letras recortadas - Texto sujo - Curvaturas - Interrupções - Mau contorno das voltas exteriores - Letra tremida - Traço vacilante - Movimentos Bruscos - Colisão - Linhas partidas - Linhas flutuantes - Linhas descendentes - Palavras dançando na linha - Irregularidade de dimensão - Irregularidade de dimensão
Primeiras Conclusões sobre o desenvolvimento da Escrita:
A primeira se estende sobre o primeiro ano de aprendizagem, entre os 6 e os 7 anos. O ritmo de progressão é então muito rápido. O desenvolvimento se reflete sobretudo na eliminação das principais dificuldades motoras, de firmeza e manuseio do instrumento de escrita. Entre o período de 6 e 7 anos, vê-se que desaparece sobretudo a letra tremida e as interrupções , os consertos de hastes retas centrípetas, o aspecto geral vacilante e incerto do traçado. Trata-se aí de aspectos muito primitivos do grafismo infantil, que testemunham a falta do controle motor. Os itens que não apresentam progresso , ou só pouco, durante esta primeira fase do desenvolvimento dizem respeito a organização geral, linhas flutuantes , palavras dançando na linha, texto “ sujo” , certos aspectos da caligrafia infantil tais como p, t, m ou n escolares , aparências infantis e ausência de movimento ( os retoques de letras demonstrando tanto preocupação de aplicação quanto dificuldades motoras ) ou de manifestações mais sutis de dificuldades motoras, que só serão reduzidas muito mais tarde ( mau contorno das voltas exteriores, arqueamentos, irregularidade de dimensão e de direção e mau controle da progressão gráfica marcada por movimentos bruscos e colisão). A criança se instala no que chamamos a caligrafia infantil que, evidentemente, está bem longe da caligrafia dos manuais. Ela se esforça, segundo os conselhos que geralmente lhe são dados, moldar sua letra: o que explica o modo de terminar cuidadosamente as letras, arredondadas e bem fechadas, a aplicação em fazer hastes bem retas, a justaposição das letras encadeadas simplesmente ou agrupadas, o esforço para regularizar a dimensão e a direção, mas sem movimento do conjunto do grafismo.
O Sexo e a Escrita:
Observamos que os dados críticos são, geralmente, mais elevados entre as meninas, e que duas interpretações são possíveis; ou por razões técnicas fortuitas, as escalas apreciam melhor o desenvolvimento de sua escrita; ou então este desenvolvimento é realmente mais evidente. Pode-se notar, consultando as aferições, que isto provém, sobretudo, do fato que as dispersões entre- idades são, quase constantemente, maiores entre os meninos: há por exemplo, muito mais diferenças com relação á nota EM entre os meninos de 6 anos, do que entre as meninas da mesma idade. A menina” normal “ tem tendência a escrever como o menino que escreve bem e está situado no primeiro quartil de sua idade e de seu sexo. Reciprocamente, o menino “ normal” escreve como a menina ‘’ que escreve mal e está situada no terceiro quartil de sua idade e de seu sexo. De acordo com as zonas de idades e as escalas, as meninas estão com um adiantamento de seis meses a um ano sobre os meninos.O desvio corresponde, algumas vezes ao de uma classe inteira: sempre no que diz respeito á E global, as meninas do CE2 escrevem tão bem quanto os meninos do CM1 ; as meninas do CM1 um pouco melhor do que os meninos do CM2. Pode-se constatar, assim, que a maior parte da pesquisa dá vantagem aos meninos, contra os das meninas. Existe uma diferença genética , onde, os melhores do ponto de vista genético, os que exprimem melhor o nível de desenvolvimento da escrita, dão mais vantagens às meninas. Trata-se pois de precocidade com relação aos meninos e não de uma diferença “ qualitativa não genética”. É muito pouco provável que se trate de um efeito de amostragem. Trata-se certamente, de um fenômeno real. As hipóteses seguintes podem ser consideradas: - A superioridade das meninas seria baseada em um desenvolvimento mais precoce da psicomotricidade geral. - Ela seria baseada em uma superioridade no campo da motricidade manual fina. - A escrita sendo linguagem escrita, a superioridade das meninas participaria de sua superioridade verbal, geralmente admitida como dizendo respeito á linguagem oral.
CONCLUSÕES :
Concluímos, que o desenvolvimento do grafismo comporta, entre os 6 e os 11 anos, três grandes etapas: primeiro ano ( entre 6 e 7 anos ), em que as dificuldades motoras são importantes e marcam fortemente o grafismo: é o que chamamos a fase pré-caligráfica. Depois, durante uma segunda etapa, a criança atinge uma espécie de equilíbrio gráfico geral, marcado por um relativo domínio do gesto, a eliminação das principais dificuldades motoras e a “caligrafia infantil”.Uma terceira etapa, após os 10 anos, vê vacilar este equilíbrio ( fase pós-caligráfica ).
Componentes de Incapacidade Motora :
São os que dão testemunho, mais diretamente, da falta de domínio no manuseio do instrumento. Assim, nas escritas de crianças de 6-7 anos, ou de disgráficos, observam-se numerosas interrupções das letras. As curvas não são executadas com um movimento desembaraçado e contínuo, com de um adulto apto.
Componentes de Esforço :
Tolhida entre suas dificuldades motoras e as sujeições do ato de escrever (sobretudo as exigências do professor!) a criança se acha em situação de conflito enquanto não atinge um domínio suficiente , o que requer, geralmente, diversos meses, até mesmo vários anos. Os efeitos deste esforço podem ser benéficos; mas são também, muitas vezes, prejudiciais: pois o esforço se traduz na crispação, expressão motora de uma ansiedade que pode ir até a repulsa pela escola. Ela deixa sua marca na escrita, por exemplo, no esmagamento do traço , nas correções e repetições , na pressão forte, na letra tremida, etc.
Componentes de Economia :
Encontram-se numerosos testemunhos disto na escrita das crianças que tentam escapar do conflito: atrofias ( letras muito pequenas, mal – talhadas ), fraco adiantamento das letras exteriores, letras redondas mal – fechadas, etc.
Componentes Caligráficos :
Levando em conta os problemas motores, o conflito produzido por sua confrontação com os obstáculos gráficos, e as diversas tentativas de resolução deste conflito, é um fato muito real que a criança aprende a escrever. Durante o período de 6 aos 11 anos, a escrita se libera progressivamente dos tremores , das interrupções, das correções e retomadas de traço, das deformações que lhe impõe a pouca firmeza e o mau manejo do instrumento com que se escreve. Toda História da gênese da escrita é a da construção progressivas de verdadeiras estruturas gráficas espaço-temporais. Ela é marcada por tempos fortes, isto é, por sílabas ou palavras acentuadas que contrastam com fonemas mudos ou quase mudos cuja duração marca sozinha a existência. Seria necessário retornar a aprimorar este estudo, colocando em evidência as “ leis” da ligação e a maneira com que orientam a gênese do grafismo; paralelamente , seria necessário poder compreender de maneira mais sutil os fatores de construção das “ unidades gráficas” ; quais são os problemas de ligação mais usuais, quais são a dimensão e a estrutura ideal de uma “ unidade gráfica” , e que soluções são encontradas espontaneamente para estes problemas ao longo da gênese.
Fatores do Desenvolvimento :
O Desenvolvimento da Motricidade:
O desenvolvimento psicomotor da criança é, sem nenhuma dúvida, a base essencial do desenvolvimento da escrita. O primeiro nível é o desenvolvimento geral, que cobre o conjunto das regulações tônico- posturais e das coordenações cinéticas. A escrita implica uma imobilização e um sustento tônico geral tanto mais cômodo e adaptado a seu objetivo quanto mais a motricidade geral é evoluída. O segundo nível, o do desenvolvimento das atividades digitais finas, particularmente importantes no caso da escrita. O desenvolvimento psicomotor é pois, a base, ou melhor, a condição essencial do desenvolvimento da escrita.
Desenvolvimento Geral da Criança :
O desenvolvimento mental é um dos fatores do desenvolvimento da escrita. A escrita é uma disciplina escolar de base, e que o nível de sua evolução tem como primeira condição a própria carreira escolar.
Desenvolvimento da Linguagem e os Fatores de Estruturação Tempo-Espacial :
O texto escrito é linguagem escrita; sua facilidade leva a marcar do nível geral de evolução no domínio da linguagem. De modo particular, escrevemos muito mais letras por letra dos conjuntos cuja estrutura não é dada de improviso, voltando, assim, a uma das características essenciais do grafismo infantil, a justaposição.
As Exigências da situação e do meio
Não se trata somente de exercícios de escrita previstos nos programas, mas de todas as ocasiões de escrever que encontra a criança , através das quais a atividade gráfica se coordena, se organiza, se precisa, se afirma. O problema é evidentemente difícil , mas estimulante, se pensarmos que ele se inscreve no espaço da velha controvérsia “ maturação- exercício “. É pouco duvidoso que muito das variações de estilo observáveis entre escritas de crianças da mesma idade derivem de diferenças de estilo motor, diferenças em que o estado tônico Representa ele próprio, sem dúvida, um papel central.
FINAL :
Hoje nossas crianças usam a escrita com ferramenta da construção escrita que se passam desapercebida em suas características típicas, que levam ao conhecimento e a evolução da linguagem escrita na formação do ensino fundamental. Na estruturação, formação, combinação de palavras. Bem como na formação, complementação sequencialização e combinação de frases expressam mensagem simples ás mais complexas. No uso de certas categorias das palavras definida pela nossa gramática a usamos mediante sua concordância nominal ou verbal. Portanto constatamos acertos com o uso da palavra que combine a complementação da idéia da linguagem escrita. Então, não apenas a palavra, a concordância, bem como a coordenação grafomotora mas possibilita a compreensão pela leitura da mensagem. Portanto, devemos considerar a forma, o tamanho, a angulação, o traçado, a direção do movimento cinético, a relação espacial das letras medianas, das ascendentes e das descendentes que estabelecem a forma de nossa linguagem escrita que possibilitam a compreensão da mensagem somada a síntase. Nem sempre deparamos com essa situação por possíveis obstáculos inerente a cada criança. Observando os mais freqüentes, como: falta do movimento de pinça adequado, mau hábito quanto à postura de assentar, dificuldade da coordenação motora dos movimentos finos bem como dos membros superiores e sua relação com o corpo, a dificuldade perceptual visual, a tensão muscular exagerado associados a cinsenesias e vários outros. Para melhor ajustarmos o desempenho da coordenação grafomotora podemos sugerir exercícios: no caderno de pauta dupla, no caderno quadriculado de 5mm, na exercitação da pulsão seguindo formas, no enfiar diferentes tipos de linha, na construção de figuras com barbante e outros.