30/12/2003
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O investimento no educador - Irio Molinari, diretor do Unilasalle
A Unilassale é um dos mais modernos centros de ensino superior de Niterói. Inaugurado há pouco mais de dois anos, já se destaca pela qualidade de suas atividades e pela rapidez com que oferece novos cursos para a comunidade. Nesta entrevista, concedida durante a realização do 1º Seminário de Educação Infantil da instituição, evento que mobilizou, em outubro, escolas públicas e particulares da região, o Diretor de Ensino Irio Molinari fala da alegria em concretizar um antigo sonho dos irmãos lasallistas e dos princípios que norteiam o mais recente passo dado pelo Instituto Abel.
- Como o 1º Seminário Nacional de Educação Infantil se integra às atividades desenvolvidas pela Unilasalle? Irio Molinari – Queremos fazer dos cursos de formação para o magistério o “carro-chefe” desta faculdade. O que vai nos diferenciar é o investimento na preparação do educador, em todas as áreas. E uma das áreas mais prioritárias é exatamente a da Educação Infantil, ainda bastante negligenciada pelo meio universitário. Esperamos, assim, contribuir para que os preceitos da nova LDB, que estimulam a qualificação docente, tornem-se realidade.
- Qual foi a principal característica deste primeiro evento? Irio Molinari – De início, trouxemos o professor Celso Antunes que encantou, numa belíssima palestra, os cerca de 500 inscritos. O exímio educador, autor de mais de 40 livros na área, foi aplaudido de pé durante longo tempo pela grande conferência que nos ofertou. Na parte da tarde, organizamos com professores da faculdade diversas oficinas. Nosso objetivo é trazer uma nova mentalidade para este segmento, destacando o papel fundamental do professor. Queremos mostrar como se pode fazer educação de boa qualidade com materiais desenvolvidos pelos próprios agentes educacionais. Por exemplo, quando uma criança ganha uma boneca, ela a decompõe, a destrói em busca de sua alma. Agora, se a criança constrói uma boneca, a partir de uma sucata, ela vai cuidar muito mais deste objeto, o que pressupõe um efeito educativo de caráter superior.
- O objetivo é criar uma tradição de debate sobre a Educação Infantil? Irio Molinari – Exatamente. Fizemos o primeiro, faremos o segundo e daremos início a uma tradição. Sempre da mesma maneira: sem muita divulgação, mas confiante na propagação da qualidade. Desta forma, conseguimos reunir 500 pessoas, inclusive rejeitando novas inscrições. Fizemos um evento de qualidade com um custo baixo para dar acesso a todos que queiram investir na própria qualificação. E a resposta foi muito positiva, já que num sábado que poderia ser dedicado à família e ao lazer, os educadores optaram por este tipo de atividade. E o papel da universidade é proporcionar estas oportunidades, já que queremos ser um espaço permanente de formação, como manda a própria missão da congregação. Os lasallistas sempre se caracterizaram por cuidar, de maneira esmerada, da formação dos professores.
- E o que mais se pode fazer para a valorização social da Educação Infantil. Irio Molinari – Faremos uma maior investimento na família. Hoje o pai não tem mais tempo de brincar com seu filho, de conhecê-lo melhor. Chega em casa estressado e não se dedica à sua criança. Como relatou Celso Antunes, é preciso retomar o tempo de brincar. A experiência relatada por Celso Antunes, demonstra a importância disso. Numa favela paulista, pais foram estimulados a brincar com os filhos por apenas 12 minutos semanais. E os resultados foram surpreendentes, demonstrando que as crianças saem com outro perfil, melhor preparadas para o relacionamento social. São essas coisas que entusiasmam a gente, que motivam a gente a persistir na área educacional. Isto porque nós acreditamos que a melhor forma de mexer no tecido social é através da educação.
- E que princípios devem nortear esse processo? Irio Molinari – Deve se partir do axioma de que a mente humana é educável. Muita gente se equivoca em achar que as qualidades do ser humano têm uma herança genética determinista, que nada pode ser modificado. A mente do ser humano é modificável, é educável. Daí a importância de se ensinar para a transformação, trabalhando com a esperança de dias melhores, sob a ênfase do estímulo positivo. Uma pedagogia do “sim”, mas sem permissividade.